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Doutor pela Unesp-Botucatu, com parte de suas pesquisas realizadas na Universidade de Madison – EUA, o professor José Luiz M. Vasconcelos é hoje uma das maiores autoridades no Brasil em Reprodução Animal. Produtor rural e profissional de grande atuação, o professor José Luiz coordena o trabalho da Conapec Jr., empresa júnior de assistência técnica de grande respaldo, formada por estudantes da Unesp. Em nossa entrevista, José Luiz comentou alguns aspectos sobre a aplicabilidade das tecnologias objetivando a melhoria da eficiência nos sistemas de produção; sobre os principais entraves à atividade pecuária no Brasil; sobre a utilização da inseminação artificial em tempo fixo (I.A.T.F) como estratégia de aumento da eficiência reprodutiva dos rebanhos; sobre a formação atual dos profissionais das ciências agrárias, dentre outros interessantes temas.

Rehagro: Quais as contribuições mais marcantes dos avanços tecnológicos aplicáveis em campo sobre a eficiência reprodutiva dos rebanhos de leite e de corte?

J.L.M.V.: Vamos responder de forma um pouco mais ampla a sua questão.

Alguém tem dúvida sobre a importância da correção do solo, da qualidade do volumoso, do balanceamento das dietas, da qualidade do leite, da prevenção de doenças, dos efeitos negativos do estresse térmico, da eficiência reprodutiva, etc, na eficiência de qualquer sistema de produção? Alguém tem duvida se existe tecnologia disponível para sanar praticamente todos os problemas relacionados à produtividade em sistemas de produção de leite e corte? Pensamos que qualquer avanço tecnológico, só será aplicável a campo, se houver possibilidade de retorno econômico. É fácil falar de aplicação de tecnologia e retorno econômico, porém, muitas vezes no nosso país, devido a alterações no preço do nosso produto (leite e carne), fica difícil fazer esta conta e principalmente fechar esta conta. Existe muita tecnologia boa desenvolvida no país, que no nosso ponto de vista, não é intensamente aplicada, pois o produtor não visualiza a viabilidade econômica da tecnologia. Porque será que na maioria das fazendas de leite se usa pouca tecnologia? Será porque não existe preço mínimo ou cotação em dólar (estabilidade), ou será porque não somos eficientes (técnicos e produtores), em desenvolver ou aplicar tecnologias? Fica muito cômodo citar que devemos melhorar a eficiência dentro da fazenda, porém, quem irá cobrar e o que sem tem feito para melhoria da eficiência fora da fazenda? Pensamos que as contribuições mais marcantes para melhorar a eficiência reprodutiva dos rebanhos de leite e de corte é o conhecimento da importância da eficiência reprodutiva na produtividade do sistema de produção, e que as tecnologias disponíveis estão ou estarão sendo utilizadas, dependendo da capacidade técnica e gerencial de cada fazenda em aplicar corretamente as tecnologias disponíveis, e principalmente saber escolher as que lhe permitem maior retorno.

Rehagro: Quais são as principais estratégias para aumento da eficiência reprodutiva dos rebanhos de corte e de leite?

J.L.M.V.: De forma bem simples, em rebanhos de corte e de leite a pasto, deve-se preocupar em oferecer comida, comida a vontade, comida a vontade de qualidade. Em rebanhos de alta produção, é um pouco mais complicado, pois apesar de serem bem alimentados (partindo desse pressuposto), apresentam baixa concepção.

Nos dois sistemas existem falhas na detecção do estro e a sugestão é de que em rebanhos de corte e de leite a pasto, se utilize protocolos que permitam indução de ciclicidade com inseminação em tempo fixo, enquanto em rebanhos puros, se utilize protocolos que permitam inseminação em tempo fixo com aumento da concepção.

Não podemos esquecer da importância do sêmen e do inseminador.

Rehagro: Quais são as perspectivas do uso da inseminação artificial em gado de corte? É compensador do ponto de vista econômico a utilização da IATF em gado de corte.

J.L.M.V.: A IATF em gado de corte tem crescido, porem a viabilidade econômica depende da comparação de resultados anteriores e atuais. Acredito que a IATF pode auxiliar em aumentar o número de vacas inseminadas no Brasil.

Rehagro: Como pesquisador, como o senhor vê a relação entre a produção e a aplicabilidade a campo das pesquisas desenvolvidas no Brasil?

J.L.M.V.: O Brasil é muito grande. Existe pesquisa básica e aplicada, e uma depende da outra. Com relação a aplicabilidade, depende da possibilidade de retorno econômico. Hoje, temos percebido claramente, maior disposição dos produtores de corte em aplicar novas tecnologias, simplesmente pela maior possibilidade de retorno econômico devido ao aumento das exportações.

Rehagro: O contraste tecnológico das propriedades rurais em nosso país é muito grande. Podemos observar fazendas de alto nível tecnológico, que conseguem fazer da pecuária de corte e de leite um bom negócio, ao mesmo tempo que em termos gerais, não é esta a situação que caracteriza a atividade no Brasil. Quais os principais obstáculos enfrentados pelos produtores rurais para ter acesso e fazer uso das tecnologias disponíveis?

J.L.M.V.: O principal obstáculo é a disponibilidade de dinheiro para investir em estratégias que permitam aumento de produtividade. Não vamos nos esquecer que não adianta fazer apenas a lição de casa bem feita, temos que vender o produto, por valor que realmente permita remuneração. Enquanto o governo ficar satisfeito com a produção extrativa de leite e carne, com aparente menor custo de produção, não teremos uma pecuária forte em nosso país, apesar de termos certeza que somos capazes de sermos eficientes.

Rehagro: Em sua opinião, os principais problemas enfrentados pelos produtores estão dentro ou fora da porteira? Como superá-los ?

J.L.M.V.: Dentro, falta de dinheiro para investir, fora, falta de estabilidade de preços para administrar a atividade. É muito difícil uma atividade em que você “produz e entrega” o seu produto e só depois saberá o preço que ira receber ??? Para superá-los temos que deixar claro para o governo e para a população que trabalhamos duro e que temos a necessidade e direito de termos retorno para remunerar o trabalho e os investimentos. Enquanto o governo quer produtos baratos para a população, que não tem dinheiro para consumir, e que o leite não tem mercado externo, o desestimulo pode levar a desemprego, aumento de importação, problemas sociais, dependência de leite subsidiado, etc. Ou o governo pensa na atividade a longo prazo ou a falta de estimulo pode trazer problemas de abastecimento no futuro. Lembremos que abertura de novas fronteiras não quer dizer aumento da produção de leite de qualidade, e que um dia não mais haverá “novas fronteiras”. Quando deixaremos de pensar na quantidade e passaremos a pensar em qualidade?

Rehagro: O senhor acha que os profissionais das ciências agrárias têm saído das faculdades bem preparados para enfrentar o mercado de trabalho? Se não, quais são as principais limitações? Quais os caminhos para tornarem-se profissionais de sucesso no mercado atual de trabalho?

J.L.M.V.: Como tudo na vida, temos os extremos. Existem profissionais capacitados ou não, estimulados ou não, com capacidade de alterar a realidade ou não. As limitações para melhorarmos ou diminuirmos as diferenças, é mostrar perspectivas de que apenas com resultados positivos se consegue vencer.Com relação a formar técnicos capacitados, nossa visão é da importância da conscientização do sistema de que mais importante do que o numero de formandos, é a qualidade dos formandos (analise qualitativa vs quantitativa). Quando se faz a avaliação de cursos no Brasil, não se avalia os técnicos formados, técnicos estes com real capacidade de citar pontos fortes e fracos durante a sua formação.

Rehagro: É do nosso conhecimento o grande sucesso e respaldo da Conapec Jr.. Fale um pouco sobre o trabalho da empresa e também sobre sua atuação como coordenador da mesma.

J.L.M.V.: As pessoas devem ter interesse e a Conapec Jr. é fruto do interesse dos alunos em aprenderem algo a mais do que é normalmente oferecido. Na vida nada vem de graça, o que se consegue é pelo trabalho. O comprometimento com os resultados é muito importante. A associação destes fatores reflete na formação profissional e futura forma de atuação dos alunos da Conapec Jr.

 

Fonte: http://rehagro.com.br/entrevista-com-professor-dr-jose-luiz-moraes-vasconcelos/

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