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Uso da ocitocina na ordenha

- Como ocorre a extração do leite:

A pecuária de leite nacional caracteriza-se pela utilização de bovinos mestiços, oriundos do cruzamento de raças taurinas, em especial a raça Holandesa, com raças zebuínas. Para muitos técnicos e produtores há necessidade da presença da cria no momento da ordenha para estimular a ejeção do leite em vacas mestiças. No entanto, a presença do bezerro na sala de ordenha requer mais mão-de-obra e instalações adequadas para tal, quando se utiliza a ordenha mecânica. Na tentativa de minimizar estes problemas, tem-se adotado a prática da aplicação de ocitocina para estimular a ejeção do leite sem a necessidade da presença do bezerro durante a ordenha.

A liberação de ocitocina tem papel fundamental para a manutenção da lactação e controle da descida do leite, tanto em sistemas com ordenha mecânica, manual, com ou sem bezerro ao pé da vaca, o que significa que a sua liberação e tempo de ação são cruciais para uma ordenha completa e rápida do animal.

Durante a síntese, o leite é continuamente armazenado nos alvéolos, ductos e cisternas da glândula mamária. Aproximadamente 80% do leite armazenado no úbere das vacas está localizado nos alvéolos e pequenos ductos e necessita que a vaca seja estimulada para que seja extraído. Somente cerca de 20% do leite total produzido está localizado nas cisternas da glândula e do teto e é retido na glândula mamária somente pela força exercida dos músculos do esfíncter do teto. O leite cisternal está imediatamente disponível para ordenha após a colocação do conjunto de teteiras, sem a necessidade do estimulo da descida do leite (Figura 1).

 

Figura 1: Organização da glândula mamária bovina

uso-ocitocina-ordenha-rehagro-1

 

Adaptado de: http://www.prenareurogenetica.com/importancia-del-secado-en-las-vacas/
Célula muscular = célula mioepitelial
Célula epitelial = tecido que produz leite

 

Por outro lado, para que ocorra uma ordenha completa da vaca, é necessário extrair o leite contido nos alvéolos, que é obtido somente via ejeção diante da ação da ocitocina, ou seja, esse leite só chega até o teto por ação da ocitocina que quando liberada naturalmente na corrente sanguínea do animal, ou por aplicação exógena, liga-se aos receptores existentes nas células mioepiteliais e provoca a contração da musculatura da glândula mamária, expulsando assim o leite.

A liberação de ocitocina e, consequentemente, o reflexo de ejeção do leite são influenciados por diferentes estímulos táteis na pele do úbere da vaca, como amamentação, ordenha manual e mecânica, massageamento dos tetos durante o teste da caneca de fundo escuro, entre outros (figura 2). Esses estímulos geram impulsos nervosos que são conduzidos para o cérebro, que libera a ocitocina O sangue carrega esse hormônio às células mioepiteliais (célula muscular – figura 1) que circundam o alvéolo. A contração das células mioepiteliais força o leite para dentro do sistema de ductos e da cisterna da glândula. Quando chega até a cisterna do úbere, o leite consegue ser extraído através do canal do teto por pressão externa (manual) do teto, ou pela sucção do bezerro ou do vácuo do equipamento de ordenha. Para que a remoção do leite ocorra satisfatoriamente, o estímulo para ejeção do leite deve ser contínuo durante a ordenha. Isto impede que as células mioepiteliais se relaxem e que o leite retorne aos alvéolos e pequenos ductos.

Figura 2: Descida do leite - uma vez produzido, o leite permanece nos alvéolos até que seja expulso. A sucção ou pressão não conseguem retirar o leite dos alvéolos. A extração ocorre após o recebimento de estímulos específicos que desencadeiam a liberação do hormônio ocitocina na corrente sanguínea. Através do sangue, a ocitocina chega até os alvéolos, e faz com que eles se contraiam, expulsando o leite e permitindo a extração através da ordenha.

 

uso-ocitocina-ordenha-rehagro

 

Adaptado de: babcock.cals.wisc.edu/Images/PFig21_1.gif


A contração das células mioepiteliais ocorre entre 40 segundos a dois minutos após o estímulo tátil dos tetos. No entanto, isto dependerá do nível de enchimento do úbere, podendo ocorrer até três minutos após estimulação, caso o úbere esteja quase vazio. Dois minutos após o acoplamento das teteiras, a concentração da ocitocina no sangue atinge o pico. O tempo médio de atuação da ocitocina na corrente sanguínea, e, portanto nos alvéolos, é de 7 minutos. Por isso, é preciso retirar o leite do úbere dentro desse prazo, sob risco de realizar ordenha incompleta, já que não se consegue extrair o leite dos alvéolos sem que a ocitocina os contraia.

- Indicação de uso da ocitocina exógena:

A maioria dos rebanhos brasileiros é composta por vacas mestiças de origem zebuína, principalmente da raça Gir. Esses animais podem apresentar dificuldades de adaptação na ordenha mecânica sem a presença do bezerro, pois algumas vacas precisam do contato do bezerro com o teto para estimular a liberação de níveis adequados de ocitocina e, consequentemente, a descida do leite. Os animais com maior grau de sangue zebuíno necessitam de níveis mais elevados de ocitocina para promover uma eficiente descida do leite. Desta maneira, vacas mestiças são mais susceptíveis às falhas inerentes à ejeção de leite quando comparadas às vacas de raça como a Holandesa, podendo apresentar grandes volumes de leite residual.

Em raças leiteiras especializadas, as vacas de primeira lactação podem apresentam distúrbios de descida do leite durante as primeiras semanas pós-parto, em razão de alteração do ambiente e pela mudança para uma nova rotina de ordenha.

Além disso, a remoção do leite pode sofrer alteração por alguma disfunção do reflexo de ejeção do leite ou por anormalidade anatômica ou lesões dos tetos, que levam à diminuição do fluxo e da produção de leite. Distúrbios no reflexo de ejeção do leite podem ocorrer devido à redução ou ausência da síntese de ocitocina ou pela perda da sensibilidade das células da glândula mamária para este hormônio.

Vacas com distúrbio de ejeção do leite afetam diretamente os ganhos do produtor, pois, produzem menos leite, e podem ser a causa de grande parte dos descartes na propriedade leiteira. A aplicação suplementar de ocitocina exógena pode ser usada como ferramenta para melhor eficiência na ejeção do leite na grande maioria das situações citadas acima. Mas para obter o benefício do uso da ocitocina, deve se utiliza-la de forma adequada, em animais que necessitem desta “suplementação” e estejam contemplados dentro de um manejo de ordenha pré-estabelecido na propriedade.

- Quantidade a ser administrada:

A administração de baixas doses de ocitocina, menos de 1U.I., é eficiente para promover o esvaziamento da glândula mamária pela maior extração do leite residual. A maioria dos medicamentos a base de ocitocina tem concentração de ocitocina de 10U.I./ml, sendo necessários 0,1ml do produto para estimular a descida do leite.

A ocitocina pode ser administrada via endovenosa, intramuscular ou subcutânea. A administração endovenosa apresenta efeito imediato e dura cerca de 10 minutos. Na aplicação intramuscular ou subcutânea, o efeito se manifesta dentro de 6 a 10 minutos. Por isso, a aplicação endovenosa é a mais utilizada na ordenha dos animais.

- Cuidados na administração:

O reflexo de ejeção do leite pode ser inibido sem que a vaca tenha distúrbios de ejeção do leite. Quando isso ocorre, o leite não é liberado dos alvéolos e somente uma fração pequena pode ser coletada. Situações de incômodo a vaca durante a ordenha estimulam a liberação do hormônio adrenalina que pode reduzir o fluxo sanguíneo no úbere e, consequentemente, a quantidade de ocitocina que alcança o úbere. A adrenalina parece também inibir diretamente a contração das células mioepiteliais.

Portanto, em algumas situações, a vaca pode não ser ordenhada rapidamente e completamente, e o uso da ocitocina sintética não reverte o déficit de ejeção do leite, como, por exemplo:

? Preparo inadequado do úbere
? Atraso na colocação de teteiras (ou início da ordenha manual) minutos após preparo do úbere
? Situações diferentes que levam à dor ou medo (apanhar, gritar, latir) – manejo agressivo dos animais
? Presença de pessoas estranhas na ordenha
? Falha no funcionamento do equipamento de ordenha
? Mudança do local ou sistema de ordenha

 

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Teste da caneca de fundo escuro: além de detectar quartos mamários com mastite clínica, o estimulo tátil da mão do ordenhador na pele do teto da vaca estimula a descida do leite. Falhas na preparação no animal neste momento podem levar a inibição do reflexo de ejeção do leite.

Após cerca de uma semana de uso continuado de ocitocina em vacas com descida normal do leite antes das injeções, as vacas tornam-se “viciadas” no uso da ocitocina sintética, devido à dessensibilização dos receptores de ocitocina na glândula mamária e ocorre redução de esvaziamento do úbere durante a ordenha, caso a ocitocina não seja mais aplicada.

O uso da ocitocina injetável de forma continuada pode trazer uma série de consequências:
? Aumento do custo de produção (medicamento, seringas, agulhas, desinfetantes);
? Mais mão-de-obra/trabalho na ordenha e como consequência maior tempo de ordenha;
? Dificuldade de interromper a prática do uso da ocitocina sintética: as vacas podem reestabelecer o reflexo da descida do leite normal após cerca de dois dias sem o uso das injeções, o que dificulta a interrupção do procedimento;
? Estresse do animal na sala de ordenha: como o animal recebe uma injeção de ocitocina em toda ordenha, este evita entrar na sala de ordenha, sendo necessário maior esforço do ordenhador para conter a vaca. Como consequência as vacas defecam mais. Esse estresse do animal torna o ambiente de ordenha mais sujo e contaminado e também dificulta ainda mais a descida normal do leite;
? Risco de disseminação de doenças dentro do rebanho: o uso da mesma agulha para aplicar a ocitocina em vários animais, aumenta o risco de transmissão de doenças;
? Infecção local, flebite, abscessos etc;
? Desvalorização comercial do animal;
? Septicemia e morte do animal, entre outros.
A crescente tecnificação da produção de leite com a implantação de ordenhas mecânicas e o maior grau de sangue zebuíno nos cruzamentos dos rebanhos leiteiros tem tornado mais comum e crescente o uso indiscriminado da aplicação de ocitocina, substituindo o estimulo do bezerro na ejeção do leite. Usar ocitocina em todas as vacas que entram na ordenha é uma atitude antieconômica, pois eleva os custos em uma atividade que já trabalha com margens muito reduzidas e gera outros riscos para o rebanho. O hormônio é importante para as vacas que realmente apresentam problemas ou dificuldades na ejeção do leite, devendo-se limitar o uso nestes animais.

FONTE: http://rehagro.com.br/plus/modulos/noticias/ler.php?cdnoticia=2835

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