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Após o ar, a água é o nutriente de maior importância e requerido em maior quantidade por uma vaca leiteira. Ela é necessária para todos os processos da vida, no transporte de nutrientes e outros compostos para as células, digestão e metabolismo de nutrientes, eliminação de resíduos (urina, fezes, e respiração) e excesso de calor (suor) do corpo; manutenção do balanço hidroeletrolítico e composição do fluido para o desenvolvimento fetal.

A água corresponde a aproximadamente 87% do leite que uma vaca produz. Desta forma, o volume de água ingerido pelas vacas está diretamente relacionado à produção de leite, sendo a quantidade necessária, por unidade de massa corporal das vacas de alta produção leiteira, a maior comparada com qualquer outro mamífero.

Os animais conseguem água por 3 vias principais: através da ingestão voluntária de água em bebedouros e fontes naturais; através da dieta; e como resultado de processos metabólicos. A maior proporção, 70 a 90% do total, é proveniente da ingestão voluntária. Por outro lado, os animais perdem água através da produção de leite, excreção urinária, excreção fecal, suor, evaporação e perda dos pulmões. As perdas de água através do leite de vacas com produção de 33 kg de leite por dia são da ordem de 26 a 34% do total de água consumida na alimentação e ingestão voluntária.

Infelizmente a ingestão de água por vacas leiteiras não é frequentemente considerada um fator limitante para a produção de leite nas fazendas modernas. Muito mais atenção é dada a outros nutrientes da dieta, sendo a quantidade e qualidade da água desconsiderada. No entanto, a baixa ingestão de água pode reduzir a produção de leite e pode provocar agressividade dos animais em torno de bebedouros.

Requerimento hídrico
Vários fatores que afetam a quantidade de água ingerida por dia têm sido estudados. Dentre estes fatores, têm se dado relativa importância à ingestão de matéria seca, à produção de leite, ao conteúdo de matéria seca da dieta, temperatura ou fatores ambientais e a ingestão de sódio.

Ao longo dos anos vários autores elaboraram equações para predizer a ingestão voluntária de água. Nestes trabalhos, observou-se que existe uma relação direta entre o consumo de matéria seca e consumo de água em bovinos. De modo geral, as pesquisas apontam para necessidade de 3 litros de água para cada Kg de leite produzido e aproximadamente 4 litros de água para cada Kg de matéria seca consumida na dieta.

Se a ingestão de água é insuficiente, o consumo de matéria seca diminui. No entanto, se é satisfatória às necessidades fisiológicas dos animais para mantença, crescimento, gestação e lactação, não há indícios que o aumento da ingestão de água (além do requerimento) resultará em maior ingestão de matéria seca ou desempenho.

Comportamento animal e o consumo de água
O consumo de água ocorre várias vezes por dia e é geralmente associado com a alimentação e ordenha. Os trabalhos apontam para uma frequência de “bebidas” em torno de 5 a 10 vezes por dia, sendo que o volume de água ingerido em cada visita do animal ao bebedouro é entre 10 e 20 litros. Este volume ingerido a cada bebida se correlaciona positivamente ao número de lactações, à produção dos animais e a ingestão de matéria seca. Assim, quanto mais crias, quanto maior for à produção de leite e quanto mais alimentos os animais consumirem, maior será a necessidade diária de água.

Vacas em lactação gastam de 4 a 5 horas por dia comendo e somente 20 a 30 minutos por dia bebendo água. Baixa qualidade da água disponível para vacas em lactação resulta em depressão do sistema imune, diminuição da fertilidade e aumento de problemas digestivos. Por isso, ter água de qualidade disponível para os animais a qualquer momento é fundamental.

Cerca de 50 a 60% da necessidade diária de água é suprida imediatamente após a ordenha. Os picos de consumo de água estão relacionados com a ordenha dos animais e o momento da alimentação. Aproximadamente 75% dos animais vão até os bebedouros nas 2 primeiras horas após a ordenha, sendo que 27% do total de água ingerido diariamente é obtido neste período. Durante as atividades diárias da fazenda (período diurno) ocorre cerca de 70% do consumo de água, sendo o restante complementado no período noturno. Este comportamento se deve a desidratação transitória causada pela extração do leite ou avidez dos animais ao saírem da sala de ordenha e se depararem com um bebedouro muito disputado por outros animais.

Além do aumento do número de animais visitando os bebedouros após as ordenhas e alimentação, nestes momentos os animais ingerem mais água em cada “bebida”, ressaltando a importância de ter bebedouros bem dimensionados e com capacidade volumétrica suficiente para fornecer água a todos os animais que venham a procurá-la. Apenas 5% dos animais se dirigem aos bebedouros e não bebem água.

Fatores que influenciam o consumo de água
Fatores que influenciam a ingestão diária de água incluem o estado fisiológico do animal, a quantidade de leite produzido, o consumo de ração, o peso corporal, o grau e tipo de atividade do animal. Os fatores ambientais, como temperatura e circulação do ar, incluindo os tipos de dieta e sua composição, a qualidade de uma determinada fonte de água, também interferem no consumo. A frequência e periodicidade de renovação e temperatura da água, além das interações sociais e o comportamento dos animais podem, também, contribuir para a alteração da ingestão voluntária de água.

Temperatura ambiental
O consumo de água é um dos mecanismos de combate ao excesso de temperatura corporal em condições de estresse calórico, visando à reposição das perdas respiratórias, além de um possível resfriamento corporal pelo contato com a água mais fria. Neste sentido, o consumo pode aumentar de 50 para 100 litros sob condições de estresse calórico.

Conteúdo mineral e proteico dos alimentos e rações
Altas concentrações dietéticas de potássio ou sódio podem favorecer o aumento do consumo de água. A cada grama de aporte adicional de sódio na dieta, o consumo de água aumenta em 50 mililitros para vacas lactantes. Além dos minerais, a concentração proteica da dieta, também tem influência sobre o consumo de água.

Qualidade da água
A qualidade da água é uma questão importante na produção e saúde de rebanhos leiteiros, pois pode ter efeito direto sobre a aceitabilidade (palatabilidade) da água ou afetar o aparelho digestivo do animal e as funções fisiológicas.

O impacto da ausência de qualidade de água na fazenda é observado em diversas áreas, como por exemplo:
• Aumento de problemas de saúdes nas vacas leiteiras;
• Aumento de incidência de diarreia nas novilhas;
• Diminuição do desempenho de primíparas;
• Problemas digestivos nos funcionários da fazenda.

Os cinco critérios mais frequentemente considerados na avaliação da qualidade da água tanto para os seres humanos quanto para animais, são: propriedades organolépticas (odor e sabor), propriedades físico-químicas, (pH, sólidos totais dissolvidos, oxigênio total dissolvido, e dureza), presença de compostos tóxicos (metais pesados, minerais tóxicos, organofosforados, e hidrocarbonetos), presença de excesso de sais minerais ou compostos (nitratos, sódio, sulfatos e ferro), e a presença de bactérias (NRC, 2001).

 

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O oferecimento de água limpa, segura e de boa qualidade é critico para maximizar produção de leite e para saúde do rebanho. A limpeza constante dos bebedouros é muito importante para manter a água limpa.

Qualidade da água em propriedades rurais
A porcentagem de sólidos totais dissolvidos na água tem um impacto significante no desempenho de vacas leiteiras. É importante testar a qualidade da água, e os sólidos totais dissolvidos deve ser um dos primeiros pontos a serem testados. Esta análise simples nos proporciona uma leitura de todo o material inorgânico dissolvido na água. Altas concentrações de sólidos totais dissolvidos, como por exemplo, sulfato, cloro, ferro, manganês e nitrato, são causas de menor desempenho em animais de produção (tabela 1).

Tabela 1 – Valores máximos recomendados para água em fazendas leiteiras

Elemento, ppm

Valor

Cálcio

<100

Cloro

<100

Cobre

<0,2

Ferro

<0,2

Magnésio

<50

Manganês

<0,05

Nitrato

<20

Potássio

<20

Sódio

<50

Enxofre

<50

Sulfato

<125

Zinco

<5

TDS

<960

pH

6-8,5

 

Temperatura da água
A temperatura da água de bebida pode afetar o consumo de água e o desempenho dos animais. À medida que a temperatura da água decresce, há redução da ingestão pelos animais. Apesar da água fria propiciar um controle sobre o estresse calórico, os animais preferem água com temperaturas mais elevadas, caso tenham esta opção.

Bebedouros e comportamento animal
As vacas manifestam preferência significativa por bebedouros de maior área de espelho d'água, dando maior número de goles e consumindo mais água. Bebedouros mais baixos parecem também serem preferidos. Os animais preferem bebedouros mais rasos com água limpa, permitindo a visualização do fundo.

 

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Bebedouro: deve ter maior área de espelho d’água, mais raso, bem dimensionado e constantemente limpo. Mas o mais importante é que a vazão da agua seja suficiente para que o bebedouro não se esvazie e haja restrição de água para o animal


O tamanho do bebedouro para o sistema de pastejo pode variar de 3 a 10 cm/animal dependendo do tamanho do lote. No entanto, mais importante do que as dimensões dos bebedouros é a disponibilidade de água. Assim, a vazão de alimentação dos bebedouros deve ser suficiente para não faltar água nos momentos de maior demanda dos animais, ou seja, principalmente após as ordenhas.

Água e animais jovens
Para os animais jovens, a maior parte da água ingerida provém do leite ou substituto do leite que recebem. No entanto, para garantir melhores desempenhos torna-se importante fornecer água fresca à vontade. Bezerras precisam de água de boa qualidade e disponível à vontade para obterem um bom desempenho. Pois assim, consomem alimentos sólidos mais rapidamente do que aqueles que recebem água somente via dieta líquida.

Pesquisadores da Universidade de Kentucky mostraram que a ausência de água fresca para bezerras durante a fase de casinha diminui o consumo de ração em 31% e diminui o ganho de peso em 38% quando comparado a bezerras com água fresca à vontade. Sinais comuns de falta de água fresca e de qualidade são: aumento de diarreias e problemas digestivos, diminuição da competência do sistema imune, diminuição do ganho de peso e eficiência alimentar, e aumento de sobra de ração.

Considerações finais
Embora pareça óbvia a importância da água para os bovinos de leite, o que se observa em muitas fazendas é uma negligência em relação ao fornecimento de água. Fornecer água de qualidade e à vontade durante todo o dia é fundamental para o sucesso da propriedade leiteira.

FONTE: http://www.rehagro.com.br/plus/modulos/noticias/ler.php?cdnoticia=2843

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